Eu já não acredito na flor que cresce e morre, acredito mais na estrela e na sua incognitude. Passam os dias, mais pontos que viram reticências e a vírgula é o suspiro no meio do pranto. Mas, confesso, ainda espero a flor desabrochar para ti pois sou o cultivador que espera.
Eu procuro nos lindos campos, refúgio. Escondo minhas cicatrizes numa profundeza particular e escolho um sorriso para mergulhar. Um hoje, o mesmo amanhã, depois, não se sabe, porém sei o que quero e o que quero permanece, permanece como a cicatriz, esta que está esquecida, mas presente.
O destino encontra-se no caminho Este traçado a giz infantilmente Aquele é só um ponto, uma estrela guia. Cuidado, porém, quando se olha para o alto perde-se o perfume das flores que caminham no chão.
Se o sol virá, E a chuva passará Para que brincar na poça? Para que sentir as gotas? Para que ser adulto o suficiente para ser criança? Correr na chuva, Brincar com o vento, Rir do trovão Cantarolando uma canção São desnecessários nesse mundo de guarda-chuvas. E pior, ainda inventaram os guarda-sóis.
O encontro das bocas que cessam o sorriso Ainda valem mais que lágrimas que sufocam na boca do outro É na felicidade que o amor propaga, como a luz que é refletida, refratada e absorvida no vidro das janela da minh'alma que quebra-se com a solidão e goza na eternidade temporariamente duradoura.
Pés sem par caminhando na areia Um sopro do vazio da procriação histórica Apaga um passado sem sentido Até que cada membro par do seu corpo Encontra noutro o seu verdadeiro companheiro
O companheiro que eterniza o segundo, próximo e eterniza o segundo, distante cada qual com sorriso e lágrima
E os pés juntos e sozinhos agora andam com seu complemento sobre a rocha.